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sexta-feira, 2 de março de 2012

Que coisa louca é essa que estamos fazendo com os nossos sentimentos



Hoje pensei em escrever sobre dois assuntos que estão me fazendo refletir já a algum tempo. Mas acho que apenas um vai rolar.
Que coisa louca é essa que estamos fazendo com os  sentimentos?
Por que achamos que não devemos demonstrar o que estamos sentindo? Sentimentos não foram feitos para ser guardados. Se eu gosto, preciso demonstrar que gosto, não apenas para ouvir, eu também, mas para que o outro saiba o lugar que ocupa na minha vida. Ficamos cheios de dedos. Se disser que gosto o outro vai zombar ou abusar de mim!
Isso realmente pode até acontecer... mas não é problema meu.
Com excessão do amor de mãe, pai, irmão e restritos membros da família tememos em demonstrar amor.
Sentimentos como amor, saudade, carinho,  desejo, respeito,raiva... não são moedas de troca, são sentimentos e precisam ser externalizados
Precisamos parar de racionalizar nossos sentimentos e apenas senti-los com toda a sua intensidade.
Se estou com saudade de você, direi
Se sinto sua falta, direi
Se te amo, demonstrarei
Se desejo chorar, chorarei até minha alma ficar aliviada
Se estou chateada ou com raiva, não fingirei que nada aconteceu
Se estou triste, não escondo
Se a sua chegada me faz feliz, sorrirei
Será que existe tempo ou hora certa para eu dizer que gosto de você? E se você morrer e eu nunca mais lhe ver? O que farei com esse sentimento que era par você?
Quero pedir colo, dizer que estou carente, mandar mensagem sempre que sentir vontade, dizer eu te amo, você é importante para mim, adorei a noite de ontem, gosto do seu sorriso, quero você sempre comigo........e isso tudo não é sinonimo de compromisso eterno com você, mas comigo, meu projeto de vida e de felicidade.
A minha vida não é um jogo onde terei que analisar estratégicamente a última jogada do adversário para estabelecer meu próximo passo. A minha vida é feita de amor, muitas vezes pago caro por isso, mas nunca me arrenpendi por ter amado, por ter tentado...
Vamos exercitar a sinceridade!
Sejamos felizes!


Amo amar vocês!


Beijo



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Reflexões sobre amores líquidos


“ A modernidade líquida em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos- uma amor líquido. A insegurança inspirada por essa condição estimula desejos conflitantes de estreitar esses laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxo.
Zygmunt Bauman radiografa esse amor...”


Esse texto foi escrito faz um tempo, quando terminei de ler Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos do Sociólogo Zygmunt Bauman. O autor faz um pertinente e perspicaz análise das relações humanas na contemporaneidade sua a fluidez e efemeridade. As relações passam a ser descartáveis,  globais e muito, muito frágeis.
Bauman nos leva a refletir sobre os laços que estabelecemos com os amores,com  a família, com os estranhos e com o mundo.
As relações estão se tornando mercadorias de food em uma grande shopping center onde quando não mais gostamos descartamos e buscamos outra tão fugaz quanto anterior por termos medo de nos relacionar.
Caramba, fico intrigada quando paro a observar o mundo, minhas relações e as alheias também. Porque tanto medo, tanto receio. Porque sempre temos que dissimular, fingir, jogar, tudo poderia ser muito mais simples. Gostei digo que gostei e pronto- digo nada.
Fico a pensar no que o outro vai achar do que eu disser e então não digo nada. E como sou tímida digo menos ainda.
Tenho o maior orgulho de ser “independente”, “moderna”, “auto suficiente”,  calibrar e trocar o pneu do carro ser for necessário, trocar lâmpadas ...mas sinto que a práxis do viver  é muito mais complicada.
Como desejamos e hoje temos direitos “ iguais”, alguns homens acho que nos vêem como um amigo do “baba” e esquecem gentilezas que fazem toda a diferença como abrir a porta, puxar a cadeira, dar a preferência ao entrar ou sair de algum lugar e nós mulheres nos desacostumamos tanto  com essas coisas que quando acontece nem sabemos como nos portar direito.
Percebo que com o passar do tempo estabelecer novas relações fica cada vez mais difícil o que deferia ser inverso. A pessoas, digo os homens, parecem ter um medo incrível de se relacionar de forma mais constante, todo mundo fica! E se esse ficar se estende um pouco mais, procura outra pessoa para ficar pois, existe uma convenção com regras implícitas que rege os ficantes. Se uma das parte por ventura resolve começar a gostar F......a outra sai correndo. Detalhe isso acontece com homens e mulheres apesar de prevalecer nos homens.
Muitas vezes me sinto totalmente over no atual contexto, claro que também “fico”, mas depois de um tempo não sei o que fazer já que não sei não me envolver. È tudo muito doido.
Sinceramente, gosto de gostar. Não tenho problema em dizer gosto de você, você é especial ou até mesmo eu te amo, apesar de achar que essas palavrinhas devem ser ditas com cautela e sinceridade. A paixão é um sentimento delicioso quando correspondido, espera o amado chegar com borboletas na barriga é delicioso, sentir-se protegida com a sua presença, ter seu olhar de cumplicidade, saber que pode contar sem necessariamente está grudada o dia inteiro, faz toda a diferença.
Como vou poder me mostrar e conhecer o outro ficando? Como se cria intimidade ficando?
Será que namoro é sinônimo de prisão ou casamento? Realmente estou over....kkkkkk
Entendo namoro como a possibilidade de estabelecer laços, confiança, altruísmo, companheirismo, intimidade.
Casamento pode acontecer ou não,conheço casais fantásticos, divertidíssimos que não deixou a rotina apagar-lhes o gosto pela vida, pela boemia, pelas festas e até mesmo pela liberdade, pois sempre há um momento em que é necessário estar sozinho com os amigos. Já conheço outros que casaram e morreram, mas como nunca casei não posso opinar muito sobre o tema, ou melhor opino pouco sobre casamento e sobre filhos.

Após um longo recesso voltei. Tenho observado e pensado muito sobre a viagem e os caminhos que tenho trilhado no meu viver.
Após um bom tempo meio reclusa em casa, saindo pouco, resolvi botar o bloco na rua e voltar a viver algo que eu adoro que é estar com meus amigos, a noite, boa música, rir muito, observar a vida, conhecer pessoas...
Acho que havia esquecido o prazer que a perda de uma noite de sono por uma boa farra proporciona para a alma, ver o pôr do sol no MAM ou no Farol da Barra alimenta o coração, que a lua é excelente companheira, que o amor é o que realmente importa e que cada momento realmente é único e deve ser vivido em toda a sua intensidade para que se torne inesquecivel, que meus porres bem tomados me acompanharão por toda a vida, fazendo parte das melhores lembranças.

Lembrei agora de Panis et Circences da Marisa Monte

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos
Sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e leões nos quintais
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer...
...Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes, procurar, procurar...
...Mas as pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer...

Entre o nascer e o morrer existe um caminho para ser vivido com alegria, com emoção, com amor, família e a confraria dos amigos verdadeiros e sinceros cada um com seu jeito especial que faz a minha vida muito mais feliz

E hoje não posso esquecer de transcrever o poeta Thiago de Mello

ESTATUTO DO HOMEM
(Ato Institucional Permanente)

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o
homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com
seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o
cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de
aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, o uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.

Thiago de Mello Santiago do Chile, abril de 1964